O carro primeira aventura, em 2007

República do Jasmim – Um olhar sobre a Fundação Casa Grande e o Sertão do Cariri é livro de um único exemplar. Foi escrito durante quatro dias de 2007, correndo contra o tempo que restava à Paula Chiuratto – amiga e designer favorita, que trabalhava comigo na revista Almanaque Brasil – para entregar seu trabalho de conclusão do curso de Desing Gráfico no Centro Universitário Belas Artes, em São Paulo.

Alemberg-Quindins-por-Laura

Alemberg em entrevista ao Almanaque. Foto: Laura Huzak

A entrevista
Tudo tinha começado no ano anterior, 2006, quando inocentemente sugeri ao editor da revista, João Rocha, uma entrevista. Tinha lido em algum lugar sobre uma escola de comunicação no sertão do Ceará, a Fundação Casa Grande. O pessoal gostou da pauta. Me debrucei sobre o mapa do Brasil, traçando uma rota em que o avião da TAM, companhia aérea onde a revista é distribuída, chegasse mais perto. Depois, seria um outro avião, e mais adiante, uma van para Nova Olinda, no sul do estado. Feito isso, era hora de agendar: liguei para o diretor-presidente da instituição, Alemberg Quindins, que, inacreditavelmente chegou à redação em uma hora. Estava em São Paulo para uma feira de gibis. Confesso que ainda tentei convencer o pessoal de que era melhor a gente se preparar com mais calma e tal… (e assim garantir a aventura), mas não teve jeito. Ao menos por enquanto, tinha dado adeus à viagem pelo coração do Brasil.

As duas horas que o Alemberg passou conversando com a gente foram suficientes para mudar nossa forma de pensar. Acredito que até o Almanaque mudou depois disso. Ele falava sobre a primeira flor do planeta, que nasceu no Cariri, e sobre sua esposa, que nasceu no mesmo dia, ano e cidade que ele. Que depois foi para o Tocantins e virou um menino fora do mapa. Enfim, leia AQUI o que ele disse.

Para encurtar o assunto, basta dizer que passei seis meses com a ideia fixa de ir para o sertão. E foi só após pedir demissão e negociar como uma espécie de “último pedido”, que embarquei para lá no final de março de 2007.

Samuel, meu guia da Fundação Casa Grande

Durante quatro dias fui guiada por um dos meninos da Fundação, o Samuel Macedo. Andávamos em uma Land Rover, utilizada para as pesquisas arqueológicas coordenadas pela Rosiane Limaverde, esposa do Alemberg. Metade das fotos da viagem deve ser desse carro, pelo qual continuei a ter verdadeira fascinação nos anos seguintes, quando já morava lá.
Mas, voltando: como era a primeira vez que ele fazia um roteiro com alguém, foi tentando descobrir, aos poucos, exatamente o que eu queria conhecer. E eu queria ver tudo. (Hoje eles possuem uma agência de turismo comunitário)

Aumentando o tamanho do mundo
Nascido em Nova Olinda, mas já com um bom conhecimento do mundo, já que desde pequeno viajava com a banda formada na Fundação, o Samuel me ajudou a romper preconceitos que eu nem fazia ideia que tinha.
O exemplo que nunca esqueci, e do qual me envergonho profundamente até hoje, foi o dia em que fomos para Exu, cidade pernambucana que faz fronteira com o Crato, no Ceará. Terra de Luiz Gonzaga, o destino era o Parque Aza Branca, casa do compositor. Perto dali, um açude. E na beira do açude, mulheres fazendo caminhada com roupa de ginástica. E comentei isso alto. Achei estranho, engraçado. Não sei o que achei, sinceramente. Só sei que o Samuel me perguntou: “você queria o quê? Que elas andassem de gibão e chapéu de couro?”. Deu ’tilt’.

Único exemplar impresso do livro

Único exemplar impresso do livro

Dias depois eu fui embora. Era para passar por Recife, encontrar uma amiga e voltar a São Paulo. Mas não foi bem isso. Simplesmente não suportava a ideia de me afastar do Cariri. Foram 15 dias na capital pernambucana, até eu receber algum dinheiro para voltar ao sertão. Comprei a passagem e embarquei de volta para lá, com R$ 50 no bolso. Não fazia a menor ideia do que ia acontecer comigo, só queria, desesperadamente, voltar.
Na Casa Grande tentei ser voluntária, sem sucesso daquela vez. Mas acompanhei um curso, da Anna Penido, fundadora da ONG baiana Cipó. E ela me deu o conselho mais valioso de todos: não adiantava eu ficar no Ceará sem um projeto de vida. Logo me cansaria, e o lugar perderia sua mágica. Além disso, ela me deu um estágio em seu escritório de São Paulo, e foi assim que voltei e pude escrever o República do Jasmim e também um especial para o Almanaque.

Ideia fixa
Mas não parou por aí. Fui para o sertão mais uma vez, uns dois meses depois, para dar uma oficina, também ligada ao Almanaque Brasil.  Quatro meses, e voltava novamente, agora para a Mostra Sesc Cariri. Só que desta terceira viagem não retornei a São Paulo: não suportaria sentir novamente a dor que era me afastar daquele lugar mágico.
Por dois anos morei no Cariri. Fui colaboradora da Fundação Casa Grande, e de alguns veículos regionais, como o Jornal do Cariri e a revista Pense!, do Governo do Estado. Produzi com a FCG duas mostras, me dediquei sete dias por semana ao meu sonho.
Foi intenso, feliz, e acabou. Mas me abriu as portas para conhecer o Cariri, lugar mais encantador de todos, para onde voltei de mala e cuia em junho de 2013, motivo que me fez tirar os textos do baú virtual, e colocá-los na rede.

O livro está aqui: http://www.republicadojasmim.wordpress.com

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