Arquivo da categoria: Missão Velha

Geossítio Floresta Petrificada do Cariri

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Floresta Petrificada - Missão Velha - Chapada do Araripe - Ceará (8)

Troncos de 145 milhões de anos: madeira que virou pedra

A história começa assim: “Era uma vez, uma floresta que virou pedra por maldição de uma bruxa…”.
Ops, não é por aí. A bruxa, no caso, sãos os 145 milhões de anos que separam os áureos tempos em que a Chapada do Araripe era fria, coberta de araucárias (sim, aquelas comuns no sul do país) e cortada por rios, que carregaram os troncos para parte da região, principalmente para onde hoje está a cidade de Missão Velha.

Por algum motivo, o Cariri possuiu ao longo dos milhões de anos uma condição climática que preservou fósseis animais e vegetais de uma forma exemplar. Na real, pelo que entendi, não se sabe ao certo o que aconteceu, mas foram diversas mudanças climáticas bruscas, que diminuíram o nível de oxigênio na água e aumentaram a concentração de minerais, o que evitou a decomposição antes do processo de fossilização. A água foi sendo trocada por minerais, e a magia da petrificação acontecendo lentamente.

Assim, temos inacreditáveis troncos, com seus veios perfeitos, formato, cor, tal qual uma madeira de verdade (um tantinho mais acinzentada, talvez), mas é pedra. Há troncos enormes, que pesam mais de tonelada, e ainda estão onde a água os deixou.
No terreno que o Geopark Araripe escolheu para geossítio, estão muitos exemplares pequenos, e alguns um tanto maiores. É fundamental ir com guia, para entender também as formações mostradas em um lindo paredão que exemplifica perfeitamente como foi cada Era geológica. Quando o mar entrou, quando o mar saiu.

Como cheguei lá
O geossítio está localizado há 6 km do centro de Missão Velha, em linha reta pela CE-293 (em direção a Brejo Santo), do lado esquerdo da pista (no sentido Missão Velha). Fui de carro, mas qualquer transporte que faça a linha entre Brejo Santo e Missão Velha passa por lá. Também é possível pegar uma moto pagando menos de 10 reais (uns 20 se for para para ficar esperando e garantir a volta, porque nem sempre os celulares funcionam no local).

No entanto, por estar em terreno particular e possuir fósseis, tem sua porteira fechada para visitantes desacompanhados. Veja AQUI como contratar um guia ou pedir acompanhamento do Geopark Araripe.

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Geossítio Cachoeira de Missão Velha

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Cachoeira de Missão Velha durante período chuvoso (inverno)

Cachoeira de Missão Velha durante período chuvoso (inverno)

É preciso um tanto de imaginação para enfim entender a importância da Cachoeira de Missão Velha para o desenvolvimento da região do Cariri. Embora seja um dos geossítios mais importantes do Geopark Araripe, é a maior prova de que o projeto de preservação precisa ser intensificado.

As lindas formações do cânion podem ser vistas melhor quando a vazão da água está pouca (nos meses de pouca chuva, entre julho e dezembro), mas é só no período chuvoso que vemos a intensidade de suas águas, com quedas de até 12 metros.
Nessas horas, as “marmitas” (curioso buraco na rocha, causado pelo fluxo da água) podem ser uma armadilha para quem caminha entre as pedras.

O local era considerado sagrado pelos índios Kariri, e foi em seu entorno que surgiu o primeiro aldeamento indígena (a “missão” que dá nome à cidade). Foi por Missão Velha que os colonizadores do Cariri chegaram, seguindo a rota da água.
Hoje, porém, suas águas recebem dejetos de outras cidades da região, e sua beleza está comprometida pelo excesso de turistas que mesmo assim utilizam a cachoeira como balneário nos dias quentes, deixando todo tipo de lixo quando vão embora.

A boa notícia é que já foi pior. A cachoeira já foi um balneário particular, e ainda é possível ver as paredes das piscinas construídas no local.
A visita vale a pena pelo caminho, e para entender como foi a formação da ocupação local. Não vale ir à cachoeira esperando encontrar um paraíso natural, já que a água não é das mais limpas.

Trilha
Há uma trilha bem sinalizada com duração média, entre a vegetação da caatinga, que vai dar nas ruínas de uma construção de pedra da época dos jesuítas. Vale a pena para quem gosta de caminhar, mas é preciso levar em conta o sol forte da região e a extensão da trilha, de quase dois quilômetros.
Não deixe de notar, próximo à entrada da trilha, alguns “rasgões” no chão: são os os icnofósseis, registro de passagem de animais há milhões de anos.

Como cheguei lá
A Cachoeira de Missão Velha está a cerca de cinco quilômetros do centro da cidade. Fui de carro, com o pessoal do Geopark. O caminho é sinalizado, e o carro chega ao lado do Geossítio. Outra opção é ir de táxi ou mototáxi, partindo do centro de Missão Velha. Não há transporte público.