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Geossítio Pontal de Santa Cruz

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Trilha - Pontal de Santa Cruz - Santana do Cariri - Chapada do Araripe - Ceará (9)

Vista do Pontal da Santa Cruz, com o vale do Cariri abaixo

O Pontal de Santa Cruz, em Santana do Cariri, é literalmente uma das pontinhas da Chapada do Araripe. Subindo lá, você está totalmente em cima da planice, de onde é possível ter uma linda vista do vale.
Há uma pequena cruz e uma capela, lá instalados pelos antigos moradores do povoado que fica logo abaixo, o Cancão Velho. Eles escutavam barulhos estranhos e faíscas de luz, e acreditavam que havia um diabo por lá (tanto que, não me lembro em que momento, conheci o lugar pelo nome de Pontal da Santa Cruz do Diabo).
Depois, foi colocada uma cruz maior, que podia ser vista com facilidade lá de baixo. Um raio a derrubou em 2012, e pelo que fiquei sabendo, uma nova já está a caminho.

O Pontal é muito procurado, principalmente nos finais de semana, porque possui um restaurante bem estruturado. O Restaurante do Pontal serve comida básica, mas saborosa: baião e carnes. Funciona de manhã até o final da tarde, todos os dias.
Durante a semana é comum também estar cheio, porque o Pontal é destino diário de excursões escolares e possui até um parque, com aqueles brinquedões coloridos.

É um passeio imperdível, na fofíssima Santana do Cariri.

Trilha
Para subir ao Pontal há uma trilha muito interessante, diferente das demais do Geopark Araripe. Ela é curta, porém totalmente vertical. São mais ou menos 400 metros subindo, muitas vezes com ajuda das correntes e argolas que estão instaladas por lá. Na real, se você tiver um equilíbrio mínimo, nem vai precisar delas (não precisei). A dificuldade está mais no fato dela ser “puxada” (é como se você subisse uma longa escadaria), do que perigosa. Tanto que as excursões escolares costumam passar por lá.
Ela sai do meio da estradinha que leva ao Pontal (há placas indicativas, como em todo o Geopark). Dependendo da hora, dá para ir a pé do centro da cidade (são uns 2 km, que se tornam 20, a conforme o calor).

Como cheguei lá
O Pontal fica há 4 km do centro de Santana do Cariri. É possível vê-lo da parte baixa, em uma visão bem bacana desta “pontinha da Chapada”. Mas não há transporte público até o topo.
Uma das opções é pegar o carro (D-20) para o povoado da Vila do Pontal (ou Cancão Velho), de onde sai a trilha lá pra cima, e fazer o mesmo na volta.
Outra solução, para quem não está de carro e também não quer subir e descer pela trilha, é pegar um mototáxi (e combinar um horário para ele voltar, ou pedir para esperar, já que o celular não pega direito lá em cima).

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Geossítio Parque dos Pterossauros

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Trilha: interessante para caminhar pela caatinga

Trilha: interessante para caminhar pela caatinga

Era para este ser o geossítio mais legal e importante do Geopark Araripe: além de conter muitos fósseis e exemplos de escavações, está há poucos quilômetros do Museu de Paleontologia, na cidade de Santana do Cariri, que é cheia de graça.
Acontece, porém, que ele precisaria de muita estrutura para ficar palatável ao público comum, o que ainda não aconteceu. Em épocas mais secas, é quase um deserto. A gente tenta buscar forças para entender o que está rolando ali, mas o sol forte e o descampado tiram a atenção.

Há uma cobertura, onde dorme um vigia, e uma placa de “Café” –  sim, em algum momento a Universidade Regional do Cariri (URCA), dona do terreno, teve a ideia de fazer dali um super ponto turístico, onde as pessoas pudessem tomar um cafezinho e comer um bolo ao lado de fósseis de milhões de anos.
Em 2013, ali foi realizada a maior escavação controlada do nordeste, e o resultado foi a localização de centenas de fósseis. O terreno cavado ainda está aberto, e alguns exemplares quebrados e deixados para trás, também. É possível ver neste “buraco” em qual camada do solo costumam ser encontradas as “pedras de peixe” (espécie de “Kinder Ovo” da paleontologia: você quebra uma pedra, e há um peixe de milhões de anos dentro), fósseis de Pterossauros e outros resquícios do mundo que passou. Se você for acompanhado de alguém que entenda bastante, e fizer as perguntas certas, a experiência pode ser incrível, de qualquer maneira.

Lá fiquei sabendo que não é por sorte ou a toa que se localiza fósseis. Olhando para o solo, é possível identificar o período geológico em que eles viveram, e se está mais para cima ou mais para baixo. A formação presente no geossítio é a do Membro Romualdo, e ele simplesmente prova que o sertão já foi mar: foram encontrados peixes marinhos, junto com inúmeras variedades de Pterossauros (répteis alados, e não dinossauros voadores).

Ah, sim: o vigia está para garantir que nenhum pedacinho de pedra, por mais insignificante que pareça, seja levado embora. O tráfico de fósseis é muito combatido, porque boa parte da riqueza paleontológica da região já se esvaiu. (Desde o século XIX que desbravadores internacionais vêm buscar ossinhos no Cariri!)

Trilha
A trilha possui 500 metros de extensão, e é uma forma de subir a pé, pelo meio da caatinga, parte do trecho que pode também ser feito de carro, que chega por estrada de terra até o local. O atrativo deste percurso é o contato com a natureza (lembre-se que, mesmo parecendo morta e seca, nas épocas sem chuva, a caatinga é um bioma riquíssimo e exclusivamente brasileiro).

Como cheguei lá:
Fui com a pick-up do Geopark Araripe, e a habilidade do piloto contou bastante a partir da entrada do terreno. Não havia barro, porque era época de seca, mas diversos buracos.
Até chegar na entrada do geossítio é fácil: 2,5 km a partir do centro de Santana, bem sinalizados. Depois, deve ter uma distância semelhante entre a porteira e o local das escavações, no alto do terreno.
Suponho que carros de passeio não cheguem com facilidade. A melhor opção, se você não tiver um carro alto, é ir de mototáxi.

Lembrando que para visitar este geossítio, é preciso avisar ao DNPM. Veja AQUI como contratar um guia e fazer este procedimento.