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Geossítio Parque dos Pterossauros

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Trilha: interessante para caminhar pela caatinga

Trilha: interessante para caminhar pela caatinga

Era para este ser o geossítio mais legal e importante do Geopark Araripe: além de conter muitos fósseis e exemplos de escavações, está há poucos quilômetros do Museu de Paleontologia, na cidade de Santana do Cariri, que é cheia de graça.
Acontece, porém, que ele precisaria de muita estrutura para ficar palatável ao público comum, o que ainda não aconteceu. Em épocas mais secas, é quase um deserto. A gente tenta buscar forças para entender o que está rolando ali, mas o sol forte e o descampado tiram a atenção.

Há uma cobertura, onde dorme um vigia, e uma placa de “Café” –  sim, em algum momento a Universidade Regional do Cariri (URCA), dona do terreno, teve a ideia de fazer dali um super ponto turístico, onde as pessoas pudessem tomar um cafezinho e comer um bolo ao lado de fósseis de milhões de anos.
Em 2013, ali foi realizada a maior escavação controlada do nordeste, e o resultado foi a localização de centenas de fósseis. O terreno cavado ainda está aberto, e alguns exemplares quebrados e deixados para trás, também. É possível ver neste “buraco” em qual camada do solo costumam ser encontradas as “pedras de peixe” (espécie de “Kinder Ovo” da paleontologia: você quebra uma pedra, e há um peixe de milhões de anos dentro), fósseis de Pterossauros e outros resquícios do mundo que passou. Se você for acompanhado de alguém que entenda bastante, e fizer as perguntas certas, a experiência pode ser incrível, de qualquer maneira.

Lá fiquei sabendo que não é por sorte ou a toa que se localiza fósseis. Olhando para o solo, é possível identificar o período geológico em que eles viveram, e se está mais para cima ou mais para baixo. A formação presente no geossítio é a do Membro Romualdo, e ele simplesmente prova que o sertão já foi mar: foram encontrados peixes marinhos, junto com inúmeras variedades de Pterossauros (répteis alados, e não dinossauros voadores).

Ah, sim: o vigia está para garantir que nenhum pedacinho de pedra, por mais insignificante que pareça, seja levado embora. O tráfico de fósseis é muito combatido, porque boa parte da riqueza paleontológica da região já se esvaiu. (Desde o século XIX que desbravadores internacionais vêm buscar ossinhos no Cariri!)

Trilha
A trilha possui 500 metros de extensão, e é uma forma de subir a pé, pelo meio da caatinga, parte do trecho que pode também ser feito de carro, que chega por estrada de terra até o local. O atrativo deste percurso é o contato com a natureza (lembre-se que, mesmo parecendo morta e seca, nas épocas sem chuva, a caatinga é um bioma riquíssimo e exclusivamente brasileiro).

Como cheguei lá:
Fui com a pick-up do Geopark Araripe, e a habilidade do piloto contou bastante a partir da entrada do terreno. Não havia barro, porque era época de seca, mas diversos buracos.
Até chegar na entrada do geossítio é fácil: 2,5 km a partir do centro de Santana, bem sinalizados. Depois, deve ter uma distância semelhante entre a porteira e o local das escavações, no alto do terreno.
Suponho que carros de passeio não cheguem com facilidade. A melhor opção, se você não tiver um carro alto, é ir de mototáxi.

Lembrando que para visitar este geossítio, é preciso avisar ao DNPM. Veja AQUI como contratar um guia e fazer este procedimento.

Geossítio Pedra Cariri

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Geossítio Pedra Cariri - Chapada do Araripe - Nova Olinda - Ceará

Calcário laminado, ou Pedra Cariri: movimenta a economia e guarda fósseis

A abundância de fósseis é tanta na Chapada do Araripe, que pequenos exemplares deles podem ser vistos nas paredes e no chão das casas da região, graças ao costume de utilizar o calcário laminado, conhecido como Pedra Cariri, para o acabamento. Há casas inteiras construídas com estas pedras, que movem boa parte da economia do Cariri Oeste, especialmente as cidades de Santana do Cariri e Nova Olinda.

Sendo assim, nada mais natural do que o Geopark Araripe ter escolhido um talhado para exemplificar esta cultura econômica, e ainda mostrar a riqueza presente nas rochas. Não bastasse, há um trabalho cuidadoso em conscientizar os trabalhadores, que vez ou outra acabam achando ricos exemplares. Muitos destes estão no Museu de Paleontologia de Santana do Cariri.
São flores, plantas e peixinhos que pelo encantamento dos anos, viraram pedra.

No entanto, o geossítio Pedra Cariri sofre da mesma carência de estrutura do Parque dos Pterossauros. É interessante, guarda uma riqueza de informações sem fim, mas se o visitante não estiver acompanhado de alguém que sabe bastante, fica meio a ver navios.

Uma dica é atravessar a rua e ver o que está acontecendo com a extração em um mega talhado na frente do geossítio. Há caminhões que recolhem toneladas de pedras, e um grande cemitério de restos de calcário quebrado.

Como cheguei lá:
O talhado fica na estrada para Santana do Cariri. São 3 km entre o centro de Nova Olinda e o geossítio. Não fosse o sol que castiga, dava para ir a pé.
Se não estiver de carro, a melhor opção é pegar uma moto. O trajeto é curto e o preço também. O transporte entre Santana e Nova Olinda é demorado, e geralmente está lotado.

Geossítio Floresta Petrificada do Cariri

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Floresta Petrificada - Missão Velha - Chapada do Araripe - Ceará (8)

Troncos de 145 milhões de anos: madeira que virou pedra

A história começa assim: “Era uma vez, uma floresta que virou pedra por maldição de uma bruxa…”.
Ops, não é por aí. A bruxa, no caso, sãos os 145 milhões de anos que separam os áureos tempos em que a Chapada do Araripe era fria, coberta de araucárias (sim, aquelas comuns no sul do país) e cortada por rios, que carregaram os troncos para parte da região, principalmente para onde hoje está a cidade de Missão Velha.

Por algum motivo, o Cariri possuiu ao longo dos milhões de anos uma condição climática que preservou fósseis animais e vegetais de uma forma exemplar. Na real, pelo que entendi, não se sabe ao certo o que aconteceu, mas foram diversas mudanças climáticas bruscas, que diminuíram o nível de oxigênio na água e aumentaram a concentração de minerais, o que evitou a decomposição antes do processo de fossilização. A água foi sendo trocada por minerais, e a magia da petrificação acontecendo lentamente.

Assim, temos inacreditáveis troncos, com seus veios perfeitos, formato, cor, tal qual uma madeira de verdade (um tantinho mais acinzentada, talvez), mas é pedra. Há troncos enormes, que pesam mais de tonelada, e ainda estão onde a água os deixou.
No terreno que o Geopark Araripe escolheu para geossítio, estão muitos exemplares pequenos, e alguns um tanto maiores. É fundamental ir com guia, para entender também as formações mostradas em um lindo paredão que exemplifica perfeitamente como foi cada Era geológica. Quando o mar entrou, quando o mar saiu.

Como cheguei lá
O geossítio está localizado há 6 km do centro de Missão Velha, em linha reta pela CE-293 (em direção a Brejo Santo), do lado esquerdo da pista (no sentido Missão Velha). Fui de carro, mas qualquer transporte que faça a linha entre Brejo Santo e Missão Velha passa por lá. Também é possível pegar uma moto pagando menos de 10 reais (uns 20 se for para para ficar esperando e garantir a volta, porque nem sempre os celulares funcionam no local).

No entanto, por estar em terreno particular e possuir fósseis, tem sua porteira fechada para visitantes desacompanhados. Veja AQUI como contratar um guia ou pedir acompanhamento do Geopark Araripe.