Arquivo da categoria: Trilhas

Geossítio Riacho do Meio

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Uma das fontes

Fonte no Geossítio Riacho do Meio, em Barbalha

Pedras que têm nome. Fontes de água cristalina. Vegetação verde e temperatura fresca, em plena época de seca no sertão. O Geossítio Riacho do Meio, em Barbalha, reúne esses elementos como uma bela amostra da fertilidade e variedade natural presentes no sopé da Chapada do Araripe. Está dentro do Parque Municipal Riacho do Meio, e seus pontos de interesse são interligados por diversas trilhas que se unem.

Quais pontos? São três fontes: Bica das Pedras, Olho D’Água Branca e Nascente do Meio. São pequenas, mas têm sua água direcionada para pequenas quedas (ou bicas), que formam piscinas cristalinas e convidativas, um alívio para o calor intenso da região.

Durante a caminhada é possível observar o queridinho da Chapada: o Soldadinho do Araripe é uma ave endêmica (só existe nesta região), pequena (15 cm) e frágil, corre risco de extinção com o desmatamento de seu habitat. Para observá-la é preciso sorte e um olhar atento. Com a ajuda de guias, que levam no celular o canto do pássaro, as aves se aproximam. O macho possui uma crista vermelha, que parece um quepe – daí o nome de Soldadinho. As fêmeas, por uma ação da astuta mãe natureza, são verde oliva. Essa característica as ajuda na hora de proteger os filhotes, e prova disso é que é bem mais difícil ver uma delas.

Tal qual os demais geossítios, é bem sinalizado, não dando margem para que ninguém se perca. Além disso, há uma estrutura ainda não utilizada, que turbinaria bastante o lugar. Possui espaço para um restaurante, há banheiros (fechados) e uma área coberta, hoje utilizada para descanso de grupos.

Trilhas
Fazer trilhas é obrigatório para quem deseja conhecer o parque. São elas, com extensão calculada pelo Geopark em 880 metros, que levam às fontes e às pedras com formatos estranhos, e que têm nome de bicho: Pedra da Coruja e Pedra do Morcego. Esta foi abrigo do bando de cangaceiros Os Marcelinos, que atuou na região na década de 1920, e que foi em parte exterminado em um local na mesma cidade, conhecido como Alto do Leitão.
A impressão que me deu, no entanto, é que há mais do que 800 metros. Isso porque a maior parte do trajeto é plano, e mesmo assim não foi rápido passar por lá.

Como cheguei lá

Fui de carro, mas é bem fácil chegar de D-20, que sai a cada meia hora da praça da Igreja do Rosário (em frente ao hospital), no centro de Barbalha, em direção ao distrito de Caldas (10 entre 10 pessoas conhecem).
De carro ou D-20, a direção é a CE-060. No quilômetro 7, do lado esquerdo de quem sobe em direção ao Caldas, é possível ver a entrada do parque municipal e o totem do Geopark.

Geossítio Pontal de Santa Cruz

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Trilha - Pontal de Santa Cruz - Santana do Cariri - Chapada do Araripe - Ceará (9)

Vista do Pontal da Santa Cruz, com o vale do Cariri abaixo

O Pontal de Santa Cruz, em Santana do Cariri, é literalmente uma das pontinhas da Chapada do Araripe. Subindo lá, você está totalmente em cima da planice, de onde é possível ter uma linda vista do vale.
Há uma pequena cruz e uma capela, lá instalados pelos antigos moradores do povoado que fica logo abaixo, o Cancão Velho. Eles escutavam barulhos estranhos e faíscas de luz, e acreditavam que havia um diabo por lá (tanto que, não me lembro em que momento, conheci o lugar pelo nome de Pontal da Santa Cruz do Diabo).
Depois, foi colocada uma cruz maior, que podia ser vista com facilidade lá de baixo. Um raio a derrubou em 2012, e pelo que fiquei sabendo, uma nova já está a caminho.

O Pontal é muito procurado, principalmente nos finais de semana, porque possui um restaurante bem estruturado. O Restaurante do Pontal serve comida básica, mas saborosa: baião e carnes. Funciona de manhã até o final da tarde, todos os dias.
Durante a semana é comum também estar cheio, porque o Pontal é destino diário de excursões escolares e possui até um parque, com aqueles brinquedões coloridos.

É um passeio imperdível, na fofíssima Santana do Cariri.

Trilha
Para subir ao Pontal há uma trilha muito interessante, diferente das demais do Geopark Araripe. Ela é curta, porém totalmente vertical. São mais ou menos 400 metros subindo, muitas vezes com ajuda das correntes e argolas que estão instaladas por lá. Na real, se você tiver um equilíbrio mínimo, nem vai precisar delas (não precisei). A dificuldade está mais no fato dela ser “puxada” (é como se você subisse uma longa escadaria), do que perigosa. Tanto que as excursões escolares costumam passar por lá.
Ela sai do meio da estradinha que leva ao Pontal (há placas indicativas, como em todo o Geopark). Dependendo da hora, dá para ir a pé do centro da cidade (são uns 2 km, que se tornam 20, a conforme o calor).

Como cheguei lá
O Pontal fica há 4 km do centro de Santana do Cariri. É possível vê-lo da parte baixa, em uma visão bem bacana desta “pontinha da Chapada”. Mas não há transporte público até o topo.
Uma das opções é pegar o carro (D-20) para o povoado da Vila do Pontal (ou Cancão Velho), de onde sai a trilha lá pra cima, e fazer o mesmo na volta.
Outra solução, para quem não está de carro e também não quer subir e descer pela trilha, é pegar um mototáxi (e combinar um horário para ele voltar, ou pedir para esperar, já que o celular não pega direito lá em cima).

Geossítio Colina do Horto

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Estátua de Padre Cícero no alto do Horto: chuva à vista!

Estátua de Padre Cícero no alto do Horto: chuva à vista!

Sobre rochas de 600 milhões de anos, as mais antigas da região da Chapada do Araripe, Cícero Romão Batista ergueu em 1907 uma espaçosa casa, no entorno da qual seus beatos em retiro passaram a morar. Era ali que Padre Cícero descansava, recebia políticos, rezava em silêncio e pretendia construir uma igreja. O nome, dado ao local mais alto da cidade de Juazeiro, foi em homenagem ao Monte (ou Horto) das Oliveiras, em Jerusalém.

Em 1969, 35 anos após sua morte, o Horto do Padre Cícero recebeu uma estátua de 27 metros de altura, que hoje é o centro de devoção ao santo nordestino, expulso da Igreja Católica após bispos e Papa não acreditarem que, em pleno sertão do Ceará, Deus realizaria o milagre de transformar a hóstia da beata Maria de Araújo em sangue.

Um lugar fantástico
Não há adjetivo melhor. O Horto é um lugar singular, que emociona e dá vontade de ficar lá por horas, dias, mesmo se você sequer acreditar em Deus. Talvez por reunir tantas e tantas pessoas que subam lá para agradecer e pedir coisas boas, talvez pela altitude e silêncio (fora das romarias), e seus bancos e árvores frondosas, o Geossítio Colina do Horto é um lugar por onde todos deveriam passar no mínimo uma vez na vida, não importando sua religião.

Algumas vezes ao ano, e principalmente em janeiro, setembro e novembro, há romarias enormes, que mobilizam gente de todos os cantos. Elas chegam em caminhões, mas também em carros, ônibus (principalmente) e fazem um circuito pela cidade, que inclui subir a pé a Ladeira do Horto, passando pelas 14 estações da Via Sacra. Param, rezam, e seguem até o alto por uma rua com inúmeras pequenas casas de romeiros que foram chegando e se instalando aos pés da estátua.

No casarão, hoje transformado no Museu Vivo Padre Cícero, há uma infinidade de ex-votos (objetos que representam graças alcançadas, como pés, braços e até seios de madeira, fotos e vestidos de noiva), e também bonecos em tamanho real, representando um pouco de como era a vida em torno de Cícero que, afastado da Igreja, se tornou político: foi o primeiro prefeito de Juazeiro do Norte e chegou a vice-governador do estado.

Uma imponente igreja, a do Bom Jesus do Horto, está sendo construída no terreno. Sonho antigo do Padre Cícero, que viu sua primeira tentativa ser demolida pela Igreja Católica, contrária à obra. No lugar, está sua estátua.

Trilha
O caminho sagrado percorrido pelos romeiros, chamado de Caminho do Santo Sepulcro, foi transformado em trilha pelo Geopark Araripe. É longo e ensolarado. Muito ensolarado. Mas imperdível. Por isso, o trajeto de quase seis quilômetros (2,8 km pra ir e outros 2,8 km pra voltar), saindo peloterreno atrás da estátua, deve ser feito preferencialmente nas primeiras horas do dia, que nasce às 5h. É um caminho na mata, que depois foi desmatada, e hoje está em recuperação (ufa!). Por ele, os beatos iam até uma capela, no extremo de um vale lindíssimo, e ficavam meditando sozinhos, por tempos enormes. Tanto que o beato Manoel João está enterrado por lá e seu túmulo é bem visitado.
No trajeto, preste atenção nas árvores. As pedras enormes que foram parar em seus galhos não são os aerolitos do Chapolin Colorado: foram carregadas por romeiros, de muito longe, para mostrar sua fé.
Há também formações rochosas consideradas sagradas, e a mais famosa delas é a Pedra do Pecado, que possui uma fenda no meio. Dizem que só passa por ela quem está puro de coração.

O caminho todo é identificado com frases de Padre Cícero, que tinha uma pegada de ambientalista, e deixou válidos conselhos sobre como os sertanejos devem cuidar da terra e dos animais.

Como cheguei lá
Por ser o principal ponto de visitação de toda a região do Cariri, na terceira maior cidade do estado, chegar no Horto é bem simples e barato.

Há um ônibus (a qualidade ainda não é lá essas coisas) saindo do Terminal no centro de Juazeiro do Norte, ao lado da Praça Padre Cícero.
Demora um pouco, porque vai pela Ladeira do Horto, parando para deixar e pegar passageiros. Ao mesmo tempo, é legal para conhecer a subida.

De táxi, carro particular ou mototáxi, o caminho mais rápido é por uma estrada mais larga, e também chega aos pés da estátua. Lá há um bom estacionamento.
Saindo do centro (pela Rua São Pedro, que passa pela Praça Padre Cícero), inúmeras placas indicam o caminho.

Geossítio Batateiras

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Sobrado de taipa no Geossítio Batateiras

Sobrado de taipa no Geossítio Batateiras

O Crato cresceu aos pés da Chapada do Araripe, que era chamada de “serra” pelos mais antigos. Com o formato de um vale, o lugar se desenvolveu primeiro na parte plana, enquanto a parte mais alta, na subida da Chapada, ficou preservada por pequenas propriedades rurais.
Agora, passando dos 100 mil habitantes,a cidade vê pipocarem casas e mais casas próximas às nascentes e rios, poluindo e degradando os recursos que fazem da região um oásis.

Nessa parte da história que entra o Parque Estadual do Sítio Fundão, área particular de preservação, que foi comprada em 2008 pelo Governo do Estado.
Cortada pelo Rio Batateiras, que forma um pequeno cânion com seu curso, o local tem importância histórica, por preservar um raro sobrado de pau a pique com mais de uma centena de anos, partes de uma barragem construída por escravos e as ruínas de um engenho de tração animal.
Além disso, é área de preservação do bioma da região, que tem como astro o Soldadinho do Araripe, pequena ave que só é encontrada na Chapada do Araripe, que disputa espaço com Padre Cícero como símbolo regional.

Por tudo isso, o Geopark Araripe escolheu o parque para sediar o Geossítio Batateiras, o único da cidade.
Isso significa que há trilhas sinalizadas, placas explicativas sobre o bioma, histórico e demais dados do local, que não permite a entrada de turistas desacompanhados.

Trilhas
São curtas, de nível fácil e muito agradáveis. Passam pelas ruínas e parte do leito do pequeno rio, onde pequenas prainhas são formadas.
Se você levar em conta que está em pleno sertão do Ceará, essa experiência se torna mais fabulosa ainda.

Importante: embora sempre esteja verde por lá, entre os meses de agosto e dezembro o nível do Rio baixa muito. Fica mais fácil de caminhar pelo leito e os mais aventureiros podem subir alguns quilômetros até a cascata do Lameiro.

Como cheguei lá: o Geossítio Batateiras fica muito próximo ao centro do Crato (são 3 km de distância, subindo a ladeira do Seminário), atrás da fábrica da Grendene. Dá para subir a pé, de carro, mototáxi, ônibus ou táxi comum.
Está dentro do Parque Estadual Sítio do Fundão, que tem entrada restrita. Para conhecer, é preciso estar acompanhado por um representante do ICMBio, do Geopark ou um guia turístico credenciado. (Veja AQUI como contratar um guia)