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Fundação Casa Grande

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Fachada da Fundação Casa Grande

Fachada da Fundação Casa Grande em Nova Olinda

Quando pequeno, morando no Tocantins, Alemberg Quindins era um menino fora do mapa. Sabia do mundo por quem passava pela cidade, Miranorte, e mais não tinha. Se virou como podia, e montou uma pequena editora, cineminha, tudo improvisado para dar alguma diversão a seus colegas, também fora do mapa. Da primeira infância, no Sertão do Cariri, no Ceará, lembrava-se de uma índia que lhe contava histórias, e de uma estátua de índiozinho em sua casa.

Quando voltou para lá, já crescido, foi atrás destas lembranças. Conheceu uma moça do Crato, Rosiane Limaverde. Por essas coincidências da vida, haviam nascido no mesmo dia e ano: 19 de dezembro de 1965. Casaram-se na mesma data, em 1983. A parceria também era musical. Saíram sertão afora, estudando a música pré-histórica da Chapada do Araripe. Deparavam-se com objetos, que iam recolhendo. Formaram um acervo.

Em 1992 nasceu oficialmente a Fundação Casa Grande, no mesmo dia 19 de dezembro, data que anualmente é comemorada na “renovação”. A velha casa que havia pertencido ao avô de Alemberg, Neco Trajano, foi reformada e passou a abrigar o Memorial do Homem do Kariri, que guarda o acervo recolhido, ao qual foi incorporado o índiozinho da infância, guardado pela velha senhora que lhe contava histórias. Ele hoje é personagem de revista quadrinhos feita pelos meninos.

De forma natural, as áreas de atuação foram aumentando, conforme o casal sentia a carência da cidadezinha. Memória, Comunicação, Artes e Turismo são hoje as áreas de abrangência da Casa Grande, que fica em Nova Olinda, a 540 quilômetros de Fortaleza. São 14 mil habitantes, a maior parte na área rural.

Em 1998 anexaram o prédio da primeira escola da cidade, o Educandário. Tornou-se a Escola de Comunicação da Meninada do Sertão, com uma rádio educativa, produtora de vídeo, estúdio de gravação e editora. Em 2002, foi a vez do Teatro Violeta Arraes – Engenho de Artes Cênicas, ser inaugurado. O fluxo de curiosos foi aumentando. Chegou a três mil por mês, e a necessidade de um programa de turismo surgiu. Foram criadas pousadas domiciliares, no fundo das casas, que são administradas pela Coopagran: Cooperativa de pais e amigos da Casa Grande.

O fluxo de visitantes é tanto, que Nova Olinda foi escolhida pelo Ministério do Turismo uma das 65 cidades indutoras do turismo nacional, e um dos projetos mais conhecidos de TBC – Turismo de Base Comunitária.

É tanta coisa que acontece lá, que fica difícil abarcar em um texto. Basta saber que chegando na Casa Grande, você poderá ver um acervo com milhares de filmes de arte, gibis, livros, mas também peças de teatro e shows, de fora e também da região, ou simplesmente conviver, por pouco ou muito tempo, com o pessoal da cidade.

E o mundo foi parar em Nova Olinda

Andando pelos corredores do antigo prédio do Educandário, onde hoje funciona a Escola de Comunicação, é possível acompanhar pelas fotos, a quantidade de ilustres visitantes que passaram por lá. Cada um deixou sua contribuição. Como num porto, quem passa deixa sua marca. Neste caso, acrescenta um conhecimento a mais para a meninada.

Fundação Casa Grande
http://www.fudacaocasagrande.org.br
Av. Jeremias Pereira, 444 – Nova Olinda – Ceará
088 3521-8133

Agência de turismo receptivo da Casa Grande
http://turismocomunitariofcg.wordpress.com